Diálogo com os guias: Exu na Umbanda

Sessões do mês de JunhoSaudações leitores deste espaço. Dando continuação as nossas postagens sobre diálogos ocorridos com as entidades da nossa Umbanda, este ocorreu em sessão pública, mas naqueles momentos em que podemos de alguma forma conversar com alguma entidade enquanto outras realizam trabalho distinto, e de alguma forma desviam a atenção. Da mesma forma que na última postagem desta série, omito nomes de médiuns e pessoas.

Perguntei a Exu:

-Onde o Sr. viveu sua encarnação aqui na terra?

Exu disse: – Não fui ninguém importante se quer saber. Vivi como se nunca fosse desencarnar. Fui fazendeiro aqui no norte do país. Tinha até boas posses, mas passei grande parte de minha vida dentro dos bordéis. Mulheres e bebidas foram minhas companhias durante toda vida, até desencarnar de tuberculose dentro de um cabaré.

Curioso tornei a falar: – Mas o Sr. foi uma má pessoa? Como foi logo após desencarnar?

-Não quero falar sobre o que fui ou deixei de ser. Após desencarnar vaguei por muito tempo dentro do cemitério. Realmente não sei quanto tempo, até conhecer um grande amigo, ao qual devo muitos favores, inclusive a oportunidade de estar aqui nesta situação, sendo um falangeiro de Exu: O Sr. Exu Caveira. Ele que me resgatou, e me deu a oportunidade de estudar e aprender, e agora posso de alguma forma servir, algo que quero fazer agora, e na minha próxima encarnação, algo que já estou a espera.

E assim, logo Exu deu um jeito de encerrar o papo e soltar uma profunda gargalhada.

Como sempre, não tem como conversar com alguma entidade de Umbanda e não tomar lições. Somos sabedores que realmente Exu não gosta muito de falar sobre o que foram em vida, e quando o fazem, quase sempre é de forma sucinta.

O Sr. Exu(não divulgarei nome) que me cedeu estas palavras, deixa claro que para ser um Exu de Umbanda, não é de forma alguma algo simples, onde qualquer espírito inconsequente que queira se manifestar como Exu assim o faz. Para se chegar a ser um falangeiro de Exu tem de se ter um preparo e estudo por parte do espírito que é candidato a vaga, e tendo ainda que ser admitido na falange de Exu, seja ela qual for.

O Exu ou Pomba Gira que se manifesta na Umbanda, em sua grande maioria são espíritos sérios, que apesar de algumas vezes dar gargalhadas e de alguma forma descontrair a corrente mediúnica e os consulentes, não baixam para beber, fumar, usar roupas escandalosas e falar besteiras, se vendendo por uma garrafa de canha aos nossos vis desejos e paixões. O Exu de Umbanda não se importa de trabalhar com seu médium vestindo o branco, e na maioria das vezes, não pede nem bebidas, nem charutos ou cigarrilhas. Exu de Umbanda baixa, faz seu trabalho e vai embora, normalmente preocupado e pedindo a seu cambono se está próximo da hora grande, pedindo que sempre que possível os trabalhos não se estendam além das 22:00hs.

Teríamos muito ainda que colocar sobre Exu, mas entendemos que não somos donos da verdade. Apenas colocamos alguma coisa sobre esta entidade que milita na Umbanda, para que não seja confundida com aquelas que trabalham em outras linhas. Os Exus e Giras de Umbanda são tão sérios quanto Caboclos ou Pretos Velhos, não sendo eles responsáveis pelos shows que assistimos todos os dias em vídeos escancarados por toda rede.

Algo que também confirmamos pelas palavras do próprio Exu, é que estes se encontram também sujeitos a reencarnação.

Encerrando, recorremos as palavras do Caboclo Mirim que nos disse:

“Umbanda é coisa séria para gente séria”.

Um fraternal Saravá.

 

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